quinta-feira, agosto 13, 2015

Escrevo para ti

Hoje escrevo para ti...
Para ti que chegaste no momento errado e que o tornaste no mais certo possível,
Para ti que derrubaste as minhas muralhas altas e que de rompante invadiste a minha vida,
Para ti que, apenas com palavras me fizeste despir a alma...
É com os olhos rasos de água e um sorriso nos lábios que recordo o quão inesperada foi a tua chegada, como tudo fez sentido quando os meus olhos, finalmente, se cruzaram com os teus...
Como um puzzle que alguém inventou, as peças encaixaram perfeitamente e tudo na minha vida ficou com sentido.
A vida andou a brincar connosco e permitiu que nos encontrássemos apenas agora. Talvez o agora tenha sido o momento certo mas tenho pena de ter descoberto só agora o aconchego do teu abraço.
Foi tudo tão rápido, dizem as vozes do mundo e isso faz-me sorrir... foi tudo tão rápido meu amor, diz o meu coração quando te vê adormecido ao meu lado. E sorriu!
Desculpa já não acreditar em amores perfeitos, perdoa-me estar constantemente a pedir desculpa de coisas sem importância, desculpa todos os meus medos e as minhas falhas, perdoa os meus medos e inseguranças...
Aceita-me assim, com tudo aquilo que sou, que vivi e que aprendi e ama as minhas falhas e as minhas qualidades.
Tal como nos meus, há dor e sabedoria nos teus olhos, há um coração feito de cristal fino e pedras preciosas, há um desejo de ser feliz hoje e cada dia que se rasga no calendário. Não acredito em amores perfeitos mas acredito em nós. Acredito que as coisas não acontecem e não se sentem por acaso. Acredito que duas pessoas adultas e conscientes se podem enamorar uma da outra diariamente. Acredito que existem trilhos que se cruzam e que se transformam em caminhos comuns. Acredito na força do nosso abraço e na luz que se faz visível dentro de mim de cada vez que sorris.
Hoje escrevo para ti, que dormes tranquilamente no quarto ao lado,
Para ti que me envolves nos teus braços como se eu fosse a pessoa mais especial do mundo,
Para ti!
Que amo!

sexta-feira, abril 19, 2013

Recebi o dom de uma fé tardia que foi amadurecendo lentamente com muitos momentos de dúvida, de recuos, de quedas, de incertezas e de reflexão. De todas as quedas me fui levantando com uma fé renovada, mais forte, mais madura. Falta-me um longo caminho... Decidi, em consciência dar mais um passo nessa direção e foi com verdadeira e honesta alegria que aceitei a oportunidade que se abriu à minha frente... E de mochila às costas me fiz ao caminho. Mas agora acho que, pelos vistos não posso. Não foi Deus que me fechou a porta, essa é a maior certeza que tenho. Sinto que a porta continua aberta e disponível para me receber, com sacramentos ou sem sacramentos, com um "amor pecador" ou sem mácula, mas a lei escrita pelos homens é bem mais limitativa e a porta da minha Igreja, daquela que me acolheu e abriu as portas da fé fecha-se agora à minha frente. E porquê? Essa é a pergunta que ecoou nos meus ouvidos desde ontem. Porque é pecado a forma como amo? Porque para não ser pecado tenho que obrigar quem vive comigo a ir comigo? Porque arrastar alguém na minha caminhada não é pecado? ...
... Não sei!
Sinto-me encurralada, acusada, afastada, na berma do caminho. Eu tenho que, em consciência perdoar todo o caminho trilhado pela minha Igreja ao longo da sua história, da sua evolução, mas a minha Igreja não me pode aceitar como eu sou! Isto pode fazer sentido para algumas pessoas, para alguns teólogos, sabedores de leis e de escrituras mas para mim não faz sentido. Aquilo em que acredito é numa mensagem de Amor que está num patamar imensamente mais elevado que regras e tratados, acredito na honestidade, no desejo sincero de fazer o bem aos outros, acredito que o caminho é muito mais importante que a meta. Por isso não consigo entender e custa-me ter sido apontada porque amo e essa forma de amor não cabe nos parâmetros estipulados por uma instituição que "manda" e "dita" as leis. O Reino de Deus é para todos e está sempre disponível... mas para ti não, pelo menos enquanto eu não resolver o meu problema, o meu pecado grave... o meu pecado grave... Mas alguém diz a estas pessoas que o "meu pecado grave" é amar? Magoa-me profundamente que alguém que eu não conheço, que não me conhece, que supostamente me devia dar tranquilidade, paz e bons conselhos considere um pecado aquilo que sinto no mais profundo do meu ser. A minha fé não sai abalada, não sei explicar porquê, mas não saiu, mas só me apetece dizer: "então desculpe lá, senhor prior, mas não quero jogar numa equipa que aponta o dedo em vez de abraçar quem vem por bem".


Hoje isto foi um desabafo, sei que está confuso mas aquilo que sinto está também em turbilhão que não cabendo em mim me sai pelos dedos e pelos olhos porque não consigo, ainda, que me saia pelos lábios.

terça-feira, março 26, 2013

Sou filha única e tenho a mais profunda certeza que os filhos únicos vêem o mundo com uns olhos diferentes daqueles que têm um ou muitos irmãos. Mesmo aqueles que os tiveram e que já partiram... Falta-nos uma parte, aquela que nos permite partilhar com os outros, ou com alguém, uma dor avassaladora e tempestuosa. Quando a vida se torna cinzenta e nublada, não há palavra ou gesto que nos toque, as partilhas são feitas connosco e não com os outros. Os irmãos têm o dom da partilha, os filhos únicos da solidão. Lembro-me de ser criança e de brincar comigo, literalmente comigo, rodava o tabuleiro do jogo ou "via" as cartas do "outro" jogador, criava mundos encantados onde me perdia sozinha comigo. Por isso aprendi a conversar comigo e, principalmente a chorar comigo. Nos momentos mais difíceis faço um esforço incomensurável por fechar a cápsula que me protege e colocar a máscara que eu quero que os outros vejam, preciso de tempo e espaço para iluminar os recantos escuros do meu ser, preciso de queimar as cinzas para poder ou tentar renascer, preciso de silêncio. Por mais próxima que seja da minha família, dos meus amigos, falta essa parte que nunca existiu e que, talvez, fosse a única pessoa com quem conseguiria partilhar esses momentos, que talvez os entendesse verdadeiramente. Gostava de ter tido um irmão apesar de nunca o ter "pedido" aos meus pais, apesar de ter tido uma meninice absolutamente feliz, gostava de o ter tido.

segunda-feira, março 18, 2013

Os teus dias tristes transformam os meus.
Abro as minhas asas na vã esperança de te proteger das lágrimas,
das perdas, das falhas, das quedas... e sinto-me tão pequena.
Perdoa as minhas falhas, incapacidades e fragilidades,
perdoa a impotência de te dar a mão e afastar os medos,
perdoa a incapacidade de expulsar os monstros que vivem
dentro dos teus armários, gavetas e aqueles bem feios
que vivem debaixo da cama e nos recantos escuros dos teus pesadelos.

quinta-feira, dezembro 20, 2012

21-12-2012 ???

Há quem diga que os Maias pensam que o mundo acaba amanhã, dia 21 de dezembro de 2012,
há quem ache que não, que é apenas o fim de um ciclo que inicia outro.
Há pessoas acampadas não sei bem onde na esperança de sobreviver ao cataclismo mundial que porá fim à Humanidade mas que deixará incólume uma qualquer vila ou aldeia perdida e esses, e só esses sobreviverão.
A questão é de tal forma importante (ou não) que um das minhas turmas tinha uma contagem decrescente para o dia de amanhã no quadro e disso, e apenas disso não se esqueciam. Este aspeto em particular leva-me a uma reflexão sobre aquilo que é verdadeiramente importante para os meus alunos. Efetivamente o que é que interessa a evolução do pensamento do Homem do Renascimento quando comparado com a previsão extraordinária da Civilização Maia de que o fim do mundo está para breve?
Este assunto levou a Nasa a apresentar uma garantia mundial de que nenhum planeta estava em rota de colisão com a Terra, que nenhuma catástrofe se prevê para breve e que todos nós, sem exceção, estamos seguros no dia de amanhã. Mais uma mentira! Haverá pessoas para quem o dia de amanhã será efetivamente uma catástrofe... mas a Nasa a esses não se referiu, certamente.
Esta noite, esta mesma questão, abriu os telejornais e desde profecias de Nostradamus a uma explicação do apocalipse encontrada naquela música de excecional requinte musical do Coreano, tudo se ouviu... Dei por mim a pensar:"Mas está tudo doido?"... Mas a verdade é que, aqui estou eu, a escrever sobre este mesmo assunto, eu, que não acredito em nenhuma destas teorias! O ser humano é mesmo estranho e parvo!
Mas...
Se o mundo acabar mesmo amanhã, apesar de ninguém ler estas palavras, aqui ficam:
A vida foi sempre uma benção; todas as pessoas que cruzaram a minha vida deixaram e acrescentaram alguma coisa; cresci como pessoa com cada livro que li, com cada filme, peça de teatro, concerto e bailado a que assisti; tenho a profissão que não desejando acabou por ser a realização plena de todos os sonhos e desejos que nem sequer sabia que guardava em mim; cresci com cada um dos meus alunos e com quem aprendi muito (espero que tenham aprendido comigo como aprendi e aprendo com eles); descobri uma fé tardia que me move e que pauta a minha vida; acredito em fazer o bem e no retorno.

Bom, vou terminar por aqui porque este post faz muito pouco sentido, no entanto, hoje que estou particularmente cansada, apetecia-me deixar sair as palavras.

terça-feira, novembro 27, 2012

Cheira a medo e desilusão nas minhas ruas de Lisboa,
sinto um clima de flores pisadas e desgosto na pintura desbotada das paredes,
nos olhos, os mesmos de outrora, muitas insónias e poucos sonhos...
Temo os grilhões, a fome, o desrespeito pelo outro e a intolerância,
encolho-me só de pensar na violência das cargas policiais e nos gritos de desespero de quem luta e se manifesta,
algo dentro de mim parte-se em estilhaços aguçados quando vislumbro os silêncios.
O passado pesa sobre todos nós como um abutre que espera, pacientemente pelas suas presas...
E as presas somos nós, todos nós!
Os que lutam, os que se calam, os que resignados encolhem os ombros,
os que resistem, os que ainda sonham e os que partem rumo a outros mundos com os olhos banhados de lágrimas cheias de saudades e outras esperanças.
Não quero ser mais um neste mundo de lamentações,
não quero ser mais um a resignar-me por ter assistido ao fim de uma época boa,
mas se há coisa que não quero é bloqueiem os meus pensamento,
que me calem, que me oprimam e, se possível, que não me cortem as asas já que tudo o resto já cortaram!

sábado, novembro 17, 2012

"Apaixonei-me por ti naquele dia... o mundo deixou de girar quando te vi entrar na sala, lembro-me do casaco preto que tinhas vestido e do sorriso largo que se espraiava pelos teus olhos quando se cruzaram com os meus"...
Desta maneira, de outra, já ouvi histórias de amor como esta contadas de múltiplas formas e, no entanto, não creio que seja mesmo assim.
A sensação de vertígem, de queda abrupta ou de paragem de tudo aquilo que nos rodeia, para mim, não acontece num momento, ou se só acontece num momento, estamos definitivamente mal.
Lembro-me que me apaixonei por ti nesse primeiro instante e em muitos outros momentos que só posso designar por quotidianos e não por momentos de romântico arrebatamento. Na fila para comprar um bilhete de cinema, ao jantar quando discutíamos Saramago e Pessoa e quando, pela enésima vez te disse em que ano terminou a Segunda Guerra Mundial (sim, eu sei que tu só erras na data para me ver irritada), no nosso Natal em Tróia quando ficaste doente naquela noite de trovoada... quando estou a cantar na cozinha e me assustas... Não, não há um momento exato de paragem, tenho a certeza! O mundo gira ao seu ritmo mas os nossos mundos giram ao ritmo um do outro, desde aquele primeiro momento... muito antes de saber se me ias abrir a porta do carro ou não!