Perdoa-me por te não amar,
por te desejar apenas como companheiro.
Perdoa-me por o meu coração pertencer a alguém,
sem seres tu.
Perdoa-me as lágrimas que choraste
quando eu nos braços alheios sorria.
Perdoa-me a crueldade de seres meu confessor,
meu atento ouvinte de loucos amores.
Perdoa-me não ter tido suficiente sensibilidade
para perceber nos teus olhos que me amavas.
Perdoa-me as noites de insónias
e as longas horas que passas sem mim.
Perdoa-me por te querer tanto, não te amando.
Perdoa-me tudo o que fiz
quando queria antes desfazer,
tudo o que acabou não tendo acontecido,
tudo o que disse quando queria estar calada
e tudo o que pensei e te deveria ter dito...
Perdoa-me por existir,
já que por ter nascido te estou matando
em dolorosa agonia.
Perdoa-me o pecado de viver amando a lua e as estrelas,
sem conseguir idolatrar as estrelas dos teus olhos
e a lua prateada que brinca nos teus lábios.
Perdoa-me as folhas rasgadas
no calendário esquecido, as horas de esperas inglórias
e a vida que passa acorrentando-te
cada dia mais a uma terminada vida.
Perdoa-me a falhada tentativa de te amar
e a loucura e desejo de um amor impossível.
Perdoa-me principalmente por ser eu,
querendo ser ela, para esquecer um ele e amar um tu.
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