Deixei-me cair sobre uma cadeira sem dono, de uma esplanada cheia de luz e iluminada de sombras. Queria estar sozinha, porque para estar só, não precisamos necesáriamente de estarmos isolados, basta desligar o botão que nos liga ao mundo e deixar a alma deambular pelos caminhos tortuosos da nossa mente. Todos somos únicos e múltiplos, temos dentro de nós, o melhor e o pior, o anjo e o demónio, que decidiram criar com estes nomes e significados, porque precisamos sempre de dar nomes às coisas. Como quando desejamos explicar a alguém porque queremos e precisamos de estar sózinhos... por mais que se tente, não é possível explicar essa necessidade, de resto, esta ou qualquer outra! Agora, aqui nesta esplanada de praia onde disfruto dos raios quentes de um mês de Abril, que invulgarmente não trouxe a chuva e os dias de melancolia, sem sol, dei por mim a recordar um momento triste e solene onde tentei explicar esse meu desejo incontrolável e inato de estar só, de chorar simplesmente para limpar a alma... sem maior explicação que esta! Foi uma das maiores frustrações de sempre, porque continuava a ouvir a mesma pergunta vinda da outra pessoa, que teve a pouca sorte de estar presente nesse momento arrebatador; Mas, afinal o que é que se passa para estares assim? Porque é que estás triste? Sei, que nunca chegou a perceber que aquela tristeza, que tinha naquele momento, era a mesma que carrego sempre comigo, como a alegria, faz parte da mim, como uma segunda pele. Não entendeu que as lágrimas não eram a demontração de qualquer sentimento, que estavam a correr pelo meu rosto pálido, morrendo no meu colo, simplesmente porque não travei a sua libertação. Não demonstravam absolutamente nada, ou eram simplesmente aquilo que eu sou, por dentro e por fora, uma multiplicidade de encontros e desencontros, de tristezas súbitas e tempestuosas e de momentos de calmaria, que sou alguém que não tem medo de escalar bem alto, tentanto chegar ao amor, porque efectivamente, se tiver que cair, porque isso todos temos, algum dia, então espero que seja de um sítio bem alto. Não acredito em amores pequenos, em sentimentos controlados, como também não desejo para mim, depois, lágrimas poupadas ou desilusões esperadas. No amor, como na vida, sou arrebatada, incontrolada e por isso mesmo, só entendo as paixões inteiras, nunca as paixões metades! Não percebo as pessoas que amam pouco para sofrer pouco, devem ser muito pouco cheias de conteúdo.
Vg
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