Acordei com uma estranha sensação, bem tentava conseguir descobrir o que era isto que sentia e no entanto, as sensações são tão escorregadias que de cada vez que as tentava materializar, mais elas se deixavam escorrer por entre os meus dedos ensonados. Teria sido um sonho? ou derivavam estas sensações da própria realidade? Enquanto me perdia por estes pensamentos nada reais e totalmente imperturbáveis, deixei queimar as torradas e aqueci demasiado o meu leite.
Olhei-me no espelho, em busca de qualquer resposta ao aperto que me magoava o peito, mas para além das olheiras fundas e do ar ainda pouco consciente, nem uma pista sobre o que seriam estas sensações. Decidi colocar alguma maquilhagem para disfarçar o aspecto miserável com que tinha acordado esta manhã. Com tudo isto, nem preciso dizer que me atrasei e quando fechei a porta de casa, percebi que devia estar já a entrar no comboio... decidi correr até à estação, como se isso me desse a possibilidade de apanhar o comboio do costume e que já havia perdido, antes mesmo de sair de casa.
Antes de chegar à estação, alguns pingos grossos de chuva começaram-me a molhar o cabelo encaracolado... chiça, com a pressa, não tinha trazido o chapéu, nem a gabardina vermelha, que por acaso tinha comprado na semana passada e que tanta vontade tinha de estrear.
Ofegante, cansada, com a maquilhagem molhada, deixei-me cair sobre o assento verde do comboio. E por momento, tenho a certeza, que por breves momentos consegui não pensar em nada. Deixei-me simplesmente ficar... e soube tão bem... Claro, que deste estado de paragem, fui arrancada por essa mesma alegria que me dizia que tinha conseguido produzir, um momento vazio de pensamentos e sensações, como uma fita de um filme que se encontre totalmente vazia de som e imagem.
O cansaço de um começo de dia atribulado arrancou-me da realidade, por breves momentos, momentos de puro vazio.
E pensei depois para comigo que se não me tivesse atrasado e perdido o comboio para Sete Rios, nada disso teria acontecido!
Vg
1 comentário:
vânia, eu por outro lado corro todos os dias para o comboio; é quase um ritual, correr para o comboio quye vai para alverca as oito e meia...saio de casa às 28. mas lá está, surgiu-me de novo a ideia, somos conhecidos desocnhecidos que talvez, todos os dias, nos cruzemos.
quanto ao resto; a imagem que criaste consegiu ser tão real; a velocidade que sobressia da narrativa acompanhava a tua própria pressa que imaginei; obrigado por teres voltado a escrever - sei que não tens muito tempo, com mestrado e dares aulas ainda por cima, mas obrigado! leio sempre, sempre as tuas palavras com prazer e um enorme gosto. beijinhos!
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