sexta-feira, abril 19, 2013

Recebi o dom de uma fé tardia que foi amadurecendo lentamente com muitos momentos de dúvida, de recuos, de quedas, de incertezas e de reflexão. De todas as quedas me fui levantando com uma fé renovada, mais forte, mais madura. Falta-me um longo caminho... Decidi, em consciência dar mais um passo nessa direção e foi com verdadeira e honesta alegria que aceitei a oportunidade que se abriu à minha frente... E de mochila às costas me fiz ao caminho. Mas agora acho que, pelos vistos não posso. Não foi Deus que me fechou a porta, essa é a maior certeza que tenho. Sinto que a porta continua aberta e disponível para me receber, com sacramentos ou sem sacramentos, com um "amor pecador" ou sem mácula, mas a lei escrita pelos homens é bem mais limitativa e a porta da minha Igreja, daquela que me acolheu e abriu as portas da fé fecha-se agora à minha frente. E porquê? Essa é a pergunta que ecoou nos meus ouvidos desde ontem. Porque é pecado a forma como amo? Porque para não ser pecado tenho que obrigar quem vive comigo a ir comigo? Porque arrastar alguém na minha caminhada não é pecado? ...
... Não sei!
Sinto-me encurralada, acusada, afastada, na berma do caminho. Eu tenho que, em consciência perdoar todo o caminho trilhado pela minha Igreja ao longo da sua história, da sua evolução, mas a minha Igreja não me pode aceitar como eu sou! Isto pode fazer sentido para algumas pessoas, para alguns teólogos, sabedores de leis e de escrituras mas para mim não faz sentido. Aquilo em que acredito é numa mensagem de Amor que está num patamar imensamente mais elevado que regras e tratados, acredito na honestidade, no desejo sincero de fazer o bem aos outros, acredito que o caminho é muito mais importante que a meta. Por isso não consigo entender e custa-me ter sido apontada porque amo e essa forma de amor não cabe nos parâmetros estipulados por uma instituição que "manda" e "dita" as leis. O Reino de Deus é para todos e está sempre disponível... mas para ti não, pelo menos enquanto eu não resolver o meu problema, o meu pecado grave... o meu pecado grave... Mas alguém diz a estas pessoas que o "meu pecado grave" é amar? Magoa-me profundamente que alguém que eu não conheço, que não me conhece, que supostamente me devia dar tranquilidade, paz e bons conselhos considere um pecado aquilo que sinto no mais profundo do meu ser. A minha fé não sai abalada, não sei explicar porquê, mas não saiu, mas só me apetece dizer: "então desculpe lá, senhor prior, mas não quero jogar numa equipa que aponta o dedo em vez de abraçar quem vem por bem".


Hoje isto foi um desabafo, sei que está confuso mas aquilo que sinto está também em turbilhão que não cabendo em mim me sai pelos dedos e pelos olhos porque não consigo, ainda, que me saia pelos lábios.

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