sábado, agosto 07, 2004

Carta de amor.

As minhas mãos escrevem ao acaso,
sem grande noção do que fazem,
sem sentirem a caneta,
e sem olharem para o azul genuíno que se imprime
vagarosa e melancolicamente
no papel de uma alvura imaculada!
Esta folha, tão branca, tão pura, tão angélica e frágil,
parece-se comigo ou será antes parecida
com o sentimento que trago dentro do peito?
Reflectindo agora bem,...
vejo que não existe diferença;
não existiria força tão grande se eu não existisse
e eu não existiria certamente sem este amor.
Esta tinta azul é como os meus olhos
que te olham com a ternura e o desejo
como se do último segundo de vida se tratasse e são eles,
esses estouvados, que me traem continuamente
que faltam ao prometido e revelam o meu segredo,
que tento a custo esconder;
não dos teus olhos, mas dos olhos alheios,
pois mais nenhum mortal
poderá por escassos segundos,
sentir o que no meu corpo humano
existe de imortal!
Estas palavras meio postas ao acaso
que saem não pensadas ou meditadas,
vê-as como os meus lábios
que te vão dizer como que em segredo
o pequeno grande tesouro que trago dentro do peito,
que não consegue encontrar em palavras
expressões suficientes para exprimir o que sinto...
Finalmente, ao pegares neste pedaço de papel,
sente como é macio e lembra-te das minhas mãos brancas
que anseiam por ser tocadas,
mas não com o habitual toque,
mas por aquele que responde a um apelo.
queria que este papel levasse o meu calor
para te aquecer mais do que qualquer agasalho em noites de Dezembro;
que levasse também o meu beijo
e o meu carinho;
mas isso será o que me virás cobrar
como resposta a esta carta!
Como despedida mando-te a lua e as estrelas
para que velem por ti
quando não o puder fazer;
e o meu amor para que a solidão nunca te toque
ou apareça no horizonte pois com ele nunca te poderás sentir solitário.
A resposta virá voando com o vento
ou no bico de uma qualquer andorinha
confidente de tão grande pecado,
ou se não encontrares maneira de mo dizer,
descansa
eu saberei ler nas estrelas e tal como os primeiros descobridores
avistaram novas terras
avistarei a verdade nas profundezas do teu coração...

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