sexta-feira, novembro 12, 2004

Parti num barco sem velas, deixei-me levar ...
e deixei o rio e aquele mar conhecido!
Esqueci a aladeia perdida no nada,
o cheiro da terra e o brilho do sol da minha pátria.
Nunca olhei por cima do ombro ...
Conquistei cidades, tomei países, povos, gentes e mundos que habitam o nosso!
Quanto mais montanhas escalava, mares cruzava e com povos me cruzava,
mais só eu me sentia.
Uma solidão surda e profunda...
tão profunda e só, que não tinha fim e que doía,
me dilacerava por dentro.
Tentava encontrar em cada olhar a salvação,
a saída desta escruridão
e no entanto, cada vez mais e mais só, me encontrava.
Certo dia, nos olhos de um sábio li uma dúvida
e a lembrança de uns braços abertos
e de uns olhos cheios de lágrimas de outrora.
Este recordar levou-me a abandonar as minhas batalhas,
deixei exércitos vitoriosos e parti
para o cheiro da minha aldeia e para os braços de alguém,
que sem saber, sempre amei!
Quando cruzei as portas vitoriosas da aldeia,
como um herói vencedor e vi os seus olhos de esmeraldas,
descobri porque me sentia tão só!
Corri para os seus braços sempre prontos e sem medo sorri de encantamento!

Vg

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