terça-feira, janeiro 04, 2005

Cobria o teu corpo inerte
Apenas uma longa túnica rubra.
Ao vislumbrar os sedutores contornos do teu corpo
Compreendi que todo esse torneado,
Essa tez, saiu das mãos hábeis de um pintor,
Sendo cada sinal
Apenas o descanso dessa mesma mão,
Ávida por concluir a sua obra.
Qual anjo alado
Debrucei-me sobre o teu leito morno
E num sussurro quase inexistente
Disse coisas que não disse
E acariciei quase sem tocar
Essas pétalas amenas
Que embelezam o teu sorriso.
Desejei permanecer imóvel,
Sem ousar sequer respirar
Tentando não quebrar tal imagem,
Tal momento que conservarei
Na lembrança para toda a eternidade.
A imagem dos meus sonhos
Reflectida como um espelho
No ser que descansa a meu lado...
Brotaram as lágrimas dos meus olhos
Cor de nuvem,
Não pude contê-las... elas tinham vida própria;
Num soluço afoguei a esperança de não despertares
E os teus olhos abriram-se num abraço
E fundimo-nos num sorriso
De puro encantamento!

Vg

1 comentário:

Navalha disse...

eu gostei deste poema, sinceramente, e do que foi escrito (misto de prosa e poesia, parece-me, e do qual gostei bastante, mesmo muito) dia 29 de Dezembro, falava da cidade, mas pode ser uma cidade qualquer que não lisboa, talvez.

este é um poema de amor... um estilo diferente, é leve, sabe bem...poderá isto ser compreendido de outra maneira que não a maneira que eu pretendo, que é o elogio sincero?
a natureza é lindíssima : conseguiu (conseguiste...? ai...) oscilar o poema num equilíbrio perfeito, penso entre o feliz e o triste, é na verdade o quê? a natureza não está definida nem interessa, a imagem que nos é transmitida é que importa, e de facto nós percebemos a ambiguidade de emoções, não há uma filtragem cuidada de palavras, parece que elas fluiram sem medos... vânia, parabéns, gostei bastante.
sabe sempre bem ler poesia à noite.