Um ruído cavo e profundo invade as entranhas nuas das paredes de minha casa, alguém uiva lá fora, as unhas afiadas de um qualquer ser sem rosto raspam na minha porta e... instintivamente encosto-me no canto mais escondido da sala contra o sofá amarelo. Espero que o som passe depressa, preciso de ir fazer qualquer coisa no computador que deixei ligado... mas as minhas mãos estão presas nos meus joelhos e os meus ouvidos presos no som que a ronda daquele ser feroz faz envolta da minha casa. Sinto-me enjaulada dentro da minha própria casa ou dentro da minha imaginação... É preciso gritar e afastar o medo que me prende aos tacos de madeira do meu chão da sala... mas mais uma vez recuou nesse intento e deixo-me morrer na solidão da minha casa e na aridez dos meus pensamentos aterradores de um som que talvez nem sequer exista!
Vg
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