terça-feira, setembro 02, 2008

Janela com vista

Da janela da boa vista
deixei correr os meus olhos pela beleza simples
do casario desta cidade sem sombras,
sem folhas caducas
e repleta de penas e beirais.
Em cima de uma mesa gasta pelos anos
a tua letra gritava aos meus ouvidos
a melodia da tua escrita
tão antiga como a folha e a tinta da caneta azul, desbotada...
Fechei os olhos por breves momentos
deixando-me envolver pela tua presença
contida em todos os objectos daquela casa de colecção,
quase senti o teu sussurrar junto aos meus ouvidos
e assaltaram-me duas lágrimas
que acabaram por morrer devido às pálpebras cerradas...
Gostava de encontrar a conjugação harmoniosa
e perfeita das palavras
para cantar esta cidade que de coração
te acolheu como seu filho,
para a descrever da mesma forma doce, terna e clara
com que tu o fizeste e certamente a sentiste,
para te conseguir exprimir
dessa mesma forma como tu escrevias
a minha admiração pelo teu talento
e pela inspiração...ou direi antes, aspiração...
Sei que aquilo que escrevo nem infimamente se assemelha
ao teu génio, mas como professor que foste,
creio que me dirias para continuar a tentar...
se, alguma vez na minha vida,
conseguir criar uma frase, uma única,
que inspire alguém a escrever
ou se as minhas palavras encherem o coração de alguém,
então, terão valido a pena todas as tentativas...

Vg

2 comentários:

The Star disse...

As tuas palavras são um acalmar de alma, um aconchegar do coração... lindas...
Continua a escrever, assim, como se de música se tratasse.
Não queres escrever uma música e oferecê-la a alguém muito especial? ;)

papiro disse...

The star, nem comeces...
escrevo o que sinto, o que me inspira, muitas vezes o que invento... divagações... não tenho essas aspirações, nem esse talento!
Obrigada pelas tuas palavras. Mas, se algum dia numa qualquer alucinação louca decidir escrever música, prometo que te aviso logo.

:)