sexta-feira, março 06, 2009

Cheguei a casa, cansada da escola,
tinha sido um dia difícil,
não deixei cair a máscara durante todo o tempo e,
de certo, nenhum dos meus colegas de turma
diria que estive magoada,
ou que os meus olhos choraram em cada segundo...
as lágrimas eram secas e áridas, como o deserto,
no entanto, marcavam certamente o meu rosto.
As suas palavras nunca me atingem,
reajo sempre contra elas de forma natural e dócil
apesar de o meu ser gritar ofendido
por detrás da máscara da menina que lida sempre bem
com qualquer situação,
aquela a quem todos recorrem quando precisam,
porque saberá dar sempre a palavras certa, ponderada e equilibrada...

Atirei com fúria a mochila para o canto do quarto.
Quanto mais tempo aguentarei esta imagem?
Hoje só queria que alguém me tivesse dado um abraço,
daqueles abraços que engrandecem a alma,
que nos tornam pessoas mais felizes, mais cheias,
que fazem desenhar nos olhos o sorriso que se traduz nos lábios e que se reflecte na alma.
Hoje só desejava que algum dos meus amigos tivesse entendido o meu silêncio,
aquele silêncio que é palpável de tão denso,
e que devia ser entendido como um grito,
uma mão estendida como um pedido de ajuda!

Bem sei que não verbalizei esse pedido
e acredito que teriam sido muitos os braços,
no entanto, eu não os quis pedir...
não temos que pedir sempre tudo por palavras!
Hoje era um desses dias, em que não me apetecia pedir...
sei que as pessoas andam sempre de olhos abertos,
mas muitas vezes, esses olhos são negros,
toldados pelos seus próprios pensamentos, problemas e quotidiano...
eu estou ali... e para muitos terei também os mesmos olhos negros,
mesmo fazendo o esforço para estar atenta.

Só então reparei num embrulho encarnado de fita doirada em cima da cama.
Tinha um pequeno cartão agarrado...
A curiosidade percorreu-me como uma descarga
e antes que conseguisse organizar o pensamento
já os meus dedos ansiosos puxavam a fita e abriam a caixa...
sem sequer ponderar que o presente podia não ser para mim!
Os meus olhos rasgaram-se num sorriso de emoção e deslumbramento,
esqueci as lágrimas e a tristeza triste que me tinha controlado o dia...
a minha gargalhada ecoou pela casa
como um despertar!

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