segunda-feira, abril 06, 2009

Noite despida de luz

Peguei na tua mão,
tremi só com o calor que dela emanava
e percebi o quanto desejavas que as minhas te segurassem...
deixei-me levar até aos teus olhos.
Ainda não me habituei à sua profundidade de abismo,
onde nem as sombras se escondem,
onde a luz é mais intensa que as estrelas
desta noite de brisa fresca que beija a tua pele
e que se deixa aquecer com os teus lábios.
Tentei organizar as palavras, o discurso...
teria que ser coerente, queria fazer sentido,
parecer madura e eloquente,
segura de todas as minhas ideias e resoluções...
mas quase esqueci a língua, os tempos verbais
e as frases morriam antes de nascer,
vencidas pela inevitabilidade do encontro,
do abraço, de me deixar afogar na intensidade que via nos teus olhos doces.
"amo-te demais" acabei por dizer,
como se fizesse para mim algum sentido amar de mais.
O que temo não é amar de mais,
é poder não ser coerente o meu amor,
não te amar tudo
ou não te amar como desejas que te ame,
sim... de mais, nunca, jamais!
Algo se quebrou dentro do meu peito,
se rompeu com o teu olhar pousado em mim,
com a simplicidade brilhante do teu sorriso
e as nossas mãos enlaçaram-se num sopro.
Não era possível lutar,
rumar contra a maré,
ainda tentei em vão, recordar o discurso
ensaiado em frente ao espelho durante a tarde...
era tarde demais...
se tiver que me magoar,
que o faça depois de te ter amado tudo,
se chorar, que seja com as lágrimas todas,
se me doer que seja com a intensidade destrutiva
do silêncio de uma floresta numa noite sem luar...
deixei as barreiras cair, cada uma delas,
impotente e feliz!
A decisão era irracional, pouco adulta,
talvez imatura e infantil,
mas mesmo assim,
o risco seria sempre maior, o de manter a redoma protectora
que me tolhia os movimentos,
que me dificultava a respiração, que não me deixava viver em pleno.
Acabei por sorrir, quando percebi que,
nesta noite escura de estrelas
me irias tomar nos teus braços para me roubar o primeiro beijo.
A decisão estava tomada, viver a meio seria viver sem ti!

2 comentários:

The Star disse...

Apetecia-me dizer que parece que tiveste uma inspiração vampírica, mas sei que é muito mais do que isso. ;)
As tuas palavras, os teus devaneios, ou simplesmente os teus pensamentos mais puros, ficam sempre tão bem espelhados em tudo aquilo que escreves.
Mais disparates marcados para mais logo, não? :p

papiro disse...

De facto, amiga, após a segunda leitura é impossível não reconhecer alguma da inspiração, mas como sabes é nos pequenos pormenores ou impressões do meu quotidiano que acabo por ir buscar a razão de escrever. Mas, como disseste e com muita razão, é muito mais do que isso!

Disparates ontem??? naaaaaa! Até parece ;) Como sempre, obrigada pelo convite e pela partilha!

Beijos