sábado, abril 11, 2009

Num tempo sem tempo, sem pressa!


Amarrotei as páginas do tempo
por não conseguir partir os ponteiros mecânicos do relógio de pêndulo da sala.
Questionei as razões das esperas,
da inevitabilidade da passagem,
das raízes que prendem os meus pés aos tempos idos
e às memórias não esquecidas e reinventadas na neblima da recordação.
Amordacei as interrogações dos caminhos
e senti as flores, sem tempo, que encontrei na berma do trilho.
Gastei o tempo parada em contemplação...
Gastei o tempo... não num gastar de tempo,
como se fosse algo difuso e dispensável,
gastei o tempo a aproveitar cada sopro dos segundos
olhando para dentro e para fora de mim
e senti-me crescer, neste tempo sem horas!
Ouvi-me crescer como a semente de mostarda
de minúscula e indefesa a frondosa árvore de raízes profundas.
Claro que sei que se me olhar ao espelho
vou ter exactamente o mesmo aspecto,
a mesma estatura frágil e pequena,
mas cresci porque me conheci, porque me permito reconhecer...
não nas esperas feitas nas esquinas a olhar para os ponteiros
em busca de qualquer coisa que desconheço,
ou nos passos apressados de corrida de olhar posto no chão ou no pulso,
como tantos outros rostos com que me cruzo no quotidiano.
Mas nesta espera profunda e tranquila de encontro de mim...
Por isso, deixo-me ficar um pouco mais,
não por esperar mais nada para hoje,
mas porque amarrotei as páginas do tempo sem tempo, sem pressas
e me posso deixar ficar, simplesmente porque quero!

1 comentário:

Anónimo disse...

Olá Papiro. Boa Noite.
Estive a ler os magníficos textos que tens escrito e "perdi-me" por entre as palavras que li... Parabéns.

Um beijinho e uma Páscoa Feliz
Alicia