Há dias assim... a meio cumprir,
pela metade,
como se faltasse uma parte, só não sei se do dia se de mim.
Como se uma neblina espessa me entorpecesse o pensamento e os movimentos,
envolta num nevoeiro denso que permite ver as formas de modo idefinido e que, certamente,
desencadeará uma tempestade.
Temo as minhas tempestades e tormentas,
rebentam sem avisar, sem grandes motivos
e num turbilhão arrastam quem se atrever a colocar-se à frente.
A minha parte racional procura antever esses momentos, mas nem sempre os consigo controlar.
Não sei porque fiquei assim!
Não foi por nada em especial, não foi um gesto ou uma palavra
foi qualquer coisa subtil que mudou o meu dia,
qualquer coisa que deixei escapar por entre os dedos
e que não consegui reconhecer,
mas que me deixou nesta plácida melancolia,
naquele silêncio que depois do relampejo
rebenta num trovão poderoso...
A verdade é que a minha vida é uma mistura de outras vidas
que, sem querer, fui deixando que fizessem parte de mim,
por isso, às vezes estes dias incompletos,
de que não controlo a totalidade
devem-se também a essas pessoas
que cruzaram o limiar da porta e que entraram,
com ou sem a minha permissão,
na minha casa, nos meus espaços... enfim, na minha vida!
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