Cheira a medo e desilusão nas minhas ruas de Lisboa,
sinto um clima de flores pisadas e desgosto na pintura desbotada das paredes,
nos olhos, os mesmos de outrora, muitas insónias e poucos sonhos...
Temo os grilhões, a fome, o desrespeito pelo outro e a intolerância,
encolho-me só de pensar na violência das cargas policiais e nos gritos de desespero de quem luta e se manifesta,
algo dentro de mim parte-se em estilhaços aguçados quando vislumbro os silêncios.
O passado pesa sobre todos nós como um abutre que espera, pacientemente pelas suas presas...
E as presas somos nós, todos nós!
Os que lutam, os que se calam, os que resignados encolhem os ombros,
os que resistem, os que ainda sonham e os que partem rumo a outros mundos com os olhos banhados de lágrimas cheias de saudades e outras esperanças.
Não quero ser mais um neste mundo de lamentações,
não quero ser mais um a resignar-me por ter assistido ao fim de uma época boa,
mas se há coisa que não quero é bloqueiem os meus pensamento,
que me calem, que me oprimam e, se possível, que não me cortem as asas já que tudo o resto já cortaram!
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