"Apaixonei-me por ti naquele dia... o mundo deixou de girar quando te vi entrar na sala, lembro-me do casaco preto que tinhas vestido e do sorriso largo que se espraiava pelos teus olhos quando se cruzaram com os meus"...
Desta maneira, de outra, já ouvi histórias de amor como esta contadas de múltiplas formas e, no entanto, não creio que seja mesmo assim.
A sensação de vertígem, de queda abrupta ou de paragem de tudo aquilo que nos rodeia, para mim, não acontece num momento, ou se só acontece num momento, estamos definitivamente mal.
Lembro-me que me apaixonei por ti nesse primeiro instante e em muitos outros momentos que só posso designar por quotidianos e não por momentos de romântico arrebatamento. Na fila para comprar um bilhete de cinema, ao jantar quando discutíamos Saramago e Pessoa e quando, pela enésima vez te disse em que ano terminou a Segunda Guerra Mundial (sim, eu sei que tu só erras na data para me ver irritada), no nosso Natal em Tróia quando ficaste doente naquela noite de trovoada... quando estou a cantar na cozinha e me assustas... Não, não há um momento exato de paragem, tenho a certeza! O mundo gira ao seu ritmo mas os nossos mundos giram ao ritmo um do outro, desde aquele primeiro momento... muito antes de saber se me ias abrir a porta do carro ou não!
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