Um mar de gente
formigando pelas ruas imundas, violentas, sedentas de sonhos desfeitos em farrapos
dos quais não se aproveitam imagens, cores ou palavras.
Cidade repleta de ruas mudas
e de autómatos amordaçados de amarras rubras de dor ou de resignação.
Já não se ouve o ecoar das serenatas dos estudantes,
terminaram as noites de encanto
e os momentos de deslumbramento.
Os seres que habitam os corpos destes humanos
que deambulam pelas vielas mais sombrias,
não lhes permitem um sorriso, uma graça,
não têm a liberdade dos pensamentos honíricos,
irreflectidos, ao gosto de Dalí,
já ninguém se perde em imagens sobrepostas de beijos e lágrimas ou de guitarras e véus ...
Já ninguém escreve, sonha, vive ao som do pulsar forte da batida psicadélica dos instintos incontroláveis,
preferem viver bem longe dos limites impostos pelas barreiras
colocadas por esses que governam o mundo dos homens e esta cidade,
e que jamais se permitem um momento de furiosa loucura.
Vivo a adernalina do ténue limite entre a lucidez e o lado obscuro das coisas,
entre aquilo que é real e um mundo de sonhos
que pode ser desenhado pelo lápis multicolor das minhas mãos ceráficas.
Ainda me permito sonhar ... deixo sempre para mais tarde
o momento de deixar a amurada e partir para o mundo do facilitismo.
Ainda subsisto do lado daqueles que refelctidamente ainda se sentem seguros em cima do limite da loucura .
2 comentários:
gostei*
Dalí...
Mas, Vânia, por onde tens andado, cara blogger?
P.
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