sábado, março 18, 2006

Se me fosse concedida a graça, o condão, o poder de fazer recuar o tempo, não mudaria nada em relação a nós. Voltaria a recuar, dando impulso neste salto de fé que me levou aos teus braços que efectivamente me seguraram. Voltaria a viver tudo de novo e chegando ao dia de hoje pudesse dizer, assim como digo, que é bom conhecer-te. Saber que não me perco no gesto das tuas mãos, nem no brilho lunar dos teus olhos, mas que me encontro de todas as vezes que sinto o calor das tuas mãos. Que reconheço o teu perfume, o calor de um dia de Estio e que a tua presença me tranquiliza numa paz sublime de palavras caladas por beijos dados, roubados, atirados e sofregamente tomados, assaltados de súbitos desejos.

Existem momentos, sempre lindos, em que me fazes sentir que não é necessário trocar palavras, este código escrito e oral que nos foi legado por antepassados longínquos e que torna possível mas nem sempre fácil a comunicação. Outros há que as palavras me assaltam os lábios em catadupas e que em torrente jorram pelas minhas mãos inquietas e que me levam a partilhar tudo. O indispensável, o acessório, o irrisório e os mais simples momentos do meu dia. Quando finalmente deixo esse transe de palavras sinto-me sempre esgotada de tanto falar e ainda mais quando, a vontade de prosseguir permanece, uma vez que, faltava tanto para te contar sobre todos os segundos e as suas milésimas partes deste meu dia. Nesses momentos de cansaço, só o teu abraço me acalma, e só tu sabes disso. E é por isso mesmo que tu, com complacência, depositas na minha face, testa, lábios ou mãos um beijo terno e suave de compaixão e entendimento. Essa fadiga termina sempre aí, nesse momento mágico (sublime) de união por que afinal mesmo sem te ter contado nada, os meus olhos claros já te tinham dito tudo, nessa linguagem secreta que só tu entendes e que também eu não partilho com mais ninguém.
Sem mais, abandono aqui a escrita, com a tristeza das lágrimas e com a certeza que, talvez só tu entendas intimamente o que tentei dizer.

Vg.

1 comentário:

Navalha disse...

Já não vinha aqui há um tempo mas gostei bastante do novo template. folgomuito em saber que a escrita continua a ser um exercicío presente, com amor.
P.