Com a calma de um distanciamento, volto a recordar a primeira vez que a vida nos juntou, quando cruzaste a porta da sala e senti que todo o mundo de ruídos se calavam na tranquilidade do teu caminhar. Ainda sindo o cheiro do perfume que trazias, quando te decidiste sentar bem no lugar à minha frente. Sempre sonhei com um amor assim, à primeira vista, arrebatador e eterno e no entanto, achei que não eras tu! Andei por becos sombrios com um coração cheio de lágrimas e medos, sem saber que rumo tomar? o que decidir? Afinal as respostas eram fáceis, bastava recordar aquele primeiro momento que tive medo de ver. Quando decidi abrir os olhos lentamente para ti, voltei a assustar-me. Todos temos medo do que desconhecemos e aquilo que estava a sentir não tinha comparação com mais nada que já tivesse sentido, recuei. Gritei aos ventos que não te queria, mas nas noites escuras dos lençõis do meu quarto era por ti que chamava em soluços de lágrimas afogadas. Tinha medo de avançar, mas quando abri um pouquinho do meu coração, já nada mais havia a fazer, só seguir em frente! Não aguentava a possibilidade de te ver recuar perante o meu sentimento, mas não conseguia deixar também de pensar em ti a cada segundo... decidi arriscar e aquilo que descobri nos teus olhos, nas tuas mãos, no teu sorriso de criança foi um medo igual ao meu... descobri que os nossos sentimentos, tal como as nossas mãos, os nossos olhos, os nossos corpos e os nossos lábios tinham sido criados para um dia se juntarem numa comunhão simples e simetricamente perfeita.
Ainda hoje, os medos me assaltam, mas aquilo que depois vejo dentro de cada gesto teu, continua a ser a inocência de um sentimento sincero, de uma amizade pintada pela perfeita mão de um pintor de sons e um entendimento que ultrapassa todas as leis do que é racional.
É também o teu nome que todas as noites eu grito à noite, no meu quarto, quando desligo a luz para ir dormir, por saber que te estás a deitar num outro lugar, longe de mim... queria tanto ter-te aqui...
Um beijo... vou dormir e uma vez mais continuas longe... e eu quero-te!
Vg
1 comentário:
adorei!!! é um registo atrevo-me a dizer de diario, do mais genuino... porem tu pões de um modo k abrange um pouco de todos nós!! falo por mim*
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